Entenda por que o contraste pode ser contraindicado para certos pacientes e quando a radiação ionizante se torna mais perigosa

Exames de imagem podem causar diferentes efeitos colaterais. Necessários para a realização de diagnósticos precisos de diferentes enfermidades, a orientação das autoridades de saúde é que os pacientes informem ao médico condições que possam representar riscos ou contraindicação.
Mais de 101 milhões de exames de imagem foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, conforme dados divulgados pelo próprio sistema. Segundo o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), o acesso a esse tipo de exame é ainda maior entre as pessoas que têm plano de saúde.
O cenário evidencia a importância de compreender as indicações, o funcionamento dos exames, os efeitos colaterais e as contraindicações. Entre os efeitos adversos mais comuns estão náusea, alteração na pressão, coceira e inchaço na garganta. O contraste radiológico pode ser contraindicado em certos quadros clínicos, já a radiação ionizante pode ser perigosa no início da gravidez.
Efeitos colaterais de exames com contraste
Exames de imagem que utilizam contraste radiológico devem ser solicitados após a avaliação médica do histórico clínico dos pacientes. O Colégio Americano de Radiologia (ACR) afirma que entre os possíveis efeitos colaterais estão dores no estômago, diarreia, confusão, dor de cabeça e pele vermelha.
Para a realização de exames de imagem com contraste intravenoso, é recomendado que os pacientes façam jejum de, no mínimo, seis horas, podendo ser mais tempo, conforme o tipo de exame, como explica o ACR.
A orientação de jejum não se restringe aos exames com contraste. Exames de sangue e procedimentos do aparelho digestivo também costumam ter essa orientação. O jejum para endoscopia faz parte das etapas obrigatórias de preparação dos pacientes que realizam o exame.
Após a realização do exame contrastado, os pacientes são orientados a beber bastante água. A ingestão auxilia na eliminação mais rápida da substância pelo organismo.
Contraindicação
De acordo com o ACR, o contraste é contraindicado para diabéticos que tomam medicamentos com cloridrato de metformina, pois a combinação com o iodo pode prejudicar a função renal e a eliminação do contraste pelo organismo. Pacientes com alergia leve ou moderada ao iodo devem passar por etapas de preparo específicas.
Também há contraindicação em caso de histórico de reação alérgica grave, como edema de glote ou choque anafilático. Pacientes com grau de insuficiência renal devem ter a função avaliada para saber se é permitida a administração do contraste endovenoso.
Em exames gastrointestinais mais extensos, como a colonoscopia longa, a preparação adequada do paciente também é determinante para reduzir riscos e aumentar a precisão diagnóstica.
Em situações de reação adversa aguda, o CBR alerta que deve haver disponibilidade de material para atendimento imediato ao paciente. As equipes devem monitorar por cerca de 20 a 30 minutos os pacientes após a injeção. Todos os detalhes de reações e parâmetros do contraste utilizado devem ser registrados pela equipe responsável.
A sugestão do CBR é que o exame seja realizado em centros de imagem qualificados e preparados para situações de emergência no atendimento aos pacientes.
Riscos da radiação para fetos e bebês
De acordo com informações do Manual MSD, a exposição à radiação é cumulativa, independente do intervalo entre os exames de imagem, o que aumenta o risco de lesões em tecidos e câncer.
A tomografia computadorizada é citada como um dos exames que administram doses mais altas de radiação em avaliações médicas por imagem. O risco para adultos é baixo, mas a exposição pode ser perigosa durante a vida fetal, primeira infância e para tecidos linfóides, testículos e ovários.
A explicação é que bebês e crianças pequenas vivem mais, o que dá ao câncer mais tempo para se desenvolver. Na infância, as células se dividem de forma mais rápida e são mais suscetíveis a danos por radiação.
Por isso, antes de realizar exame de imagem, a paciente deve informar ao médico se estiver grávida, alerta o Manual MSD. Se a radiografia for necessária, o técnico protege o feto da exposição à radiação ao cobrir o abdômen da mulher com um avental de chumbo.
A fase de formação dos órgãos é a de maior risco na gestação. Entre a quinta e a décima semana, a radiação pode causar defeitos congênitos. Já no início da gravidez, pode provocar aborto.
Recomendações reduzem riscos
Entre as orientações do Manual MSD para reduzir riscos estão optar por exames que não utilizem radiação quando possível, como ultrassom ou imagem por ressonância magnética. Outro alerta é evitar a exposição de crianças à radiação, especialmente em avaliações que contam com altas dosagens.
A proteção de partes vulneráveis do corpo, como a glândula tireoide e o abdômen das gestantes, é importante para limitar a exposição à radiação durante os exames. Nos últimos anos, “técnicas e equipamentos modernos diminuíram significativamente as doses de radiação utilizadas em exames de imagem”, destaca.
A campanha “Image Gently Brasil”, lançada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), alerta sobre os riscos da superexposição à radiação ionizante em crianças e adolescentes. A ação faz parte de um movimento internacional que recomenda o uso racional de exames que envolvem radiação, principalmente tomografias e raios-X. A SBP sugere a adaptação de equipamentos e a adoção de protocolos específicos para pacientes pediátricos.
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